Em 1986, Bernd Josef Rosemeyer, chegou ao Brasil. Em 1987, no Recife, viu, pela primeira vez, crianças morando nas ruas. 10 anos depois fundou a Associação Beneficiente O Pequeno Nazareno.

Muito antes disso, na Alemanha, com a família pobre, Bernd aprendeu desde cedo que precisava ajudar em casa. Acumulou uma lista de ofícios que foram da fábrica de gravatas à capina do mato em estradas.

A infância feliz se tornou uma adolescência ativista, que se desenvolveu durante as campanhas civis alemãs contra a energia atômica. Aos 22 anos, soube da fome que abatia milhares de vidas na África. Então, a vocação para trabalhar contra as injustiças sociais falou alto no seu peito. Mendigava nas ruas para enviar dinheiro para cavarem poços na África, mobilizou pessoas da sua comunidade e chegou a considerar ir para a Índia, para se reunir as iniciativas de Madre Teresa de Calcutá. Nessa época, o contato com um conhecido que estudou teologia o levou para a Ordem dos Franciscanos. Ao ingressar na Ordem, se transferiu para uma província no Nordeste do Brasil, e começou a estudar teologia na cidade de Olinda, em Recife.

Foi no Brasil que viu pessoas revirando o lixo dos restaurantes em busca de comida. Nunca tinha visto nada assim. Em uma das visitas ao centro de Recife, na Praça do Carmo, viu um menino, abatido, com um ferimento aberto na perna. Se aproximou e puxou conversa. Propôs que fossem em uma farmácia para cuidar do ferimento. O menino calado, aceitou. Depois, sem nenhuma palavra, a criança voltou para a praça. Diante desse silêncio sofrido e resignado, Bernardo (como passou a querer ser chamado) entendeu que havia descoberto sua grande missão: conhecer essas crianças, para saber como ajudá-las.

Despois desse dia, quase todas as noites, Bernardo ia até o centro de Recife para encontrar com as crianças que moravam nas ruas. Chegou a jantar restos de comida com eles e ser avisado, por policiais, dos riscos e aconselhado a se afastar dos meninos: “Você não sabe o que está fazendo. Aqui é perigoso”.

Em 1987, diante da frustração que experimentava toda noite ao voltar para o convento e deixar as crianças na rua, informou que desejava sair do convento. O desejo de viver uma experiência franciscana radical, com voto de pobreza e abnegação, o levou a fazer parte de uma comunidade no Ceará, em Ipaporanga, liderada pelo Frei João. Lá trabalhou na roça e na broca e comia rapadura com água. O contato com lideranças populares, fez com que percebesse que precisava se preparar melhor para realizar um trabalho mais prático. Em 1989, deixou a comunidade e veio, com o apoio da Ordem Franciscana, estudar Direito em Fortaleza.

 

 

Durante os estudos acadêmicos, retomou o contato com as crianças em situação de rua. Nas praças e terminais de ônibus de Fortaleza, entrou em contato com a história de várias crianças desacompanhadas de suas famílias, desassistidas pelo Poder público, vítimas do racismo estrutural e da desigualdade social por ele produzida, muitas das quais acacabaram precocemente ceifadas por mortes violentas.

A histórias de Augusto, a primeira criança que pediu ajuda a Bernardo, foi o gatilho que fez com que o franciscano fundasse O Pequeno Nazareno. Augusto foi acolhido em uma paróquia, mas não conseguiu permanecer longe das ruas. Ao voltar, envolveu-se em uma briga e foi gravemente ferido. Após inúmeros procedimentos médicos, Augusto sobreviveu, e toda sua situação, fez com que Bernardo abraçasse definitivamente sua causa.

 

O irmão de Bernardo contou que pessoas na Alemanha queriam ajudar. Foi através desse apoio que a casa onde fica a sede do O Pequeno Nazareno, na rua Senador Alencar, foi adquirida em 1993. Depois, em 1995, veio o sítio em Maranguape (onde estabeleceu um acolhimento para crianças e adolescentes em situação de rua). Em 2003, voltou a Recife para abrir a primeira filial da organização, com um local de apoio na Rua da Aurora, bairro da Boa vista, e um acolhimento em Vila Velha, Itamaracá. Em 2013, abriu mais uma filial em Manaus/AM.

 

Desde a fundação d’O Pequeno Nazareno, Bernardo sabia que para abraçar a causa das crianças e adolescentes que estavam nas ruas era necessário está comprometido com a luta por mudanças estruturais. Foi nessa perspectiva que em 2005 sua Organização lançou a Campanha Nacional Criança Não é de Rua, para reivindicar uma política nacional para esta população. Depois desse momento, a Campanha, passou a contar com a participação de 600 entidades parceiras, distribuídas em todos os estados brasileiros. Em 2010, a campanha se tornou uma rede nacional permanente de organizações que lutam pelos direitos de crianças e adolescentes em situação de rua, coordenada por representantes de 10 organizações das 05 regiões do país.

 

A Campanha Criança Não é de Rua estabeleceu o 23 de julho como o Dia Nacional de Enfrentamento à Situação de Rua de Crianças e Adolescentes. Em 2015, a Rede Brasileira expandiu sua ação para a América Latina e criou a Red Internacional por la Defensa de la Infancia y Adolescencia en Situacion de Calle (RIDIAC), que congrega 12 paises da região e mais de 700 organizações parceiras. Em 2018, O Pequeno Nazareno e a Campanha Nacional Criança Não é de Rua, coordenaram a Elaboração das Diretrizes Nacionais para o Atendimento à Criança e o Adolescente em Situação de Rua, primeiro marco normativo da história do país voltado especificamente para a garantia dos direitos dessa população.

 

Hoje, O Pequeno Nazareno possui uma plataforma multidisciplinar de atendimento nas áreas de Educação (Educação Social de Rua, Educação Profissionalizante), Assistência Social (Acolhimento Institucional e Apoio Psicossocial às Famílias) e Direitos Humanos (Sensibilização e mobilização social), responsável por atender mais de 1.000 crianças, adolescentes em situação de rua e suas famílias por ano, articulando mais de 1300 defensores em sua rede de relacionamentos, com mais de 200 mil pessoas sensibilizadas por suas ações, das quais 25 mil estão mobilizadas permanentemente pelo projeto.

POR UM MUNDO MELHOR PARA TODAS AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

(85) 3212 5727

Rua Senador Alencar, 1324 - Centro, Fortaleza - CE

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